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Pesquisa


Atividade antiinflamatória crônica e avaliação toxicológica aguda do extrato etanólico de Bouchea fluminensis (Vell.)

Mestrado em Ciência Animal
Autor: Simone Cabral Pupo
Orientador: Rosemeres Horwat Delaporte
Defendido em: 25/04/2008
Artigo na Íntegra: http://www.latamjpharm.org/trabajos/27/3/LAJOP_27_3_1_8_VA7GO353F8.pdf

Resumo

A primeira forma de uso de medicamentos efetuada pelo homem foi feita através do consumo de plantas medicinais. O emprego de plantas medicinais na recuperação da saúde tem evoluído ao longo dos tempos desde as formas mais simples de tratamento até as formas mais sofisticadas. As plantas medicinais sempre foram objetos de estudo na tentativa de descobrir novas formas de obtenção de princípios ativos. Este trabalho teve como objetivo levantar dados científicos sobre a espécie vegetal Bouchea fluminensis, que forneçam suporte ao uso da planta na terapêutica. A planta foi colhida nas 4 estações do ano, foram realizadois testes como: perda por secagem a temperatura ambiente, perda por secagem a temperatura controlada, perda por dessecação, determinação do conteúdo de cinzas totais, determinação do conteúdo de substâncias extraíveis, quantificação de taninos totais e flavonóides. Os estudos químicos comprovaram a existência de iridóides como o lamiídeo (componente majoritário), durantosídeo, lamiidosídeo, durantosídeo C e boucheosídeo. Neste levantamento, verificou-se ainda o relato de atividade antiinflamatória do extrato etanólico das folhas de B. fluminensis através do método de edema de pata de ratos induzido por carragenina. Objetivando explorar uma possível atividade antiinflamatória crônica deste extrato, este trabalho investigou este efeito utilizando a metodologia da implantação de blocos de algodão, gerando a formação de um granuloma. Foram administrados oralmente doses de 25, 50 e 100 mg/kg do extrato etanólico. A atividade antiinflamatória crônica foi comparada com a indometacina na dose de 5 mg/Kg . Os maiores e os menores granulomas foram observados, respectivamente, no grupo controle negativo e positivo. Não houve diferença significativa entre os grupos tratados, mas notou-se diferenças significativas entre os grupos tratados com 50 e 100 mg/kg em relação ao grupo controle negativo. Uma parte dos granulomas extraídos foram submetidos a testes bioquímicos, preparou-se homogenados de tecidos que serviram como base para a determinação de produtos avançados da oxidação de proteínas. Os testes demonstraram que a medida que aumenta a dose o efeito do extrato foi mais marcado ou seja houve redução da concentração de produtos avançados da oxidação de proteínas. A relação dose e efeito para este indicador teve um coeficiente de correlação de 0,97. A concentração efetiva média segundo este efeito foi de 47,26 mg/kg. Ainda, na revisão bibliográfica, um estudo da avaliação toxicológica do extrato etanólico na dose de 2g/Kg não apresentou toxicidade quando administrado de forma aguda. No entanto, para garantir o suporte científico ao uso terapêutico desta espécie vegetal, é necessário à realização de teste de toxicidade em outra espécie animal, desta forma, este trabalho avaliou a toxicidade aguda em coelhos. O teste consistiu da administração do extrato etanólico de B. fluminensis, por via oral, na dose de 2g/kg de peso vivo. Neste estudo não houve alterações clínicas e hematológicas nos animais tratados com extrato. Levando em consideração os resultados obtidos nesse estudo que inclui levantamento bibliográfico, atividade antiinflamatória e nível de toxicidade da espécie B. fluminensis, concluímos que se pode sugerir que a espécie vegetal B. fluminensis apresenta tanto um efeito antiinflamatório agudo como crônico. Apesar da potência antiinflamatória comparada com a substância de referência (indometacina 5 mg/kg) ser baixa para o efeito crônico, deve ter-se em consideração que este extrato é uma mistura de princípios ativos e não uma substância pura. Por outro lado, é provável que os efeitos adversos deste extrato natural sejam muito menores que os reportados para a indometacina.

Palavras-chave

Bouchea fluminensis; toxicidade; atividade antiinflamatória


Title

Atividade antiinflamatória crônica e avaliação toxicológica aguda do extrato etanólico de Bouchea fluminensis (Vell.)

Abstract

The first use of drugs by man was made by medicinal herbs consumption. The use of medicinal herbs in health recovery has been developed from basic to sophisticated ways. Medicinal herbs has ever eren object of study in the way to discover new forms of active compounds obtention. This research aims to collect scientifical data about Bouchea fluminensis that supports the therapeutical herb use. A bibliographic search about B. fluminensis (Vell.) Mold., popularly kwon as “gervão-falso” or “falso-gervão” in Parana State, a herb from Verbenaceae family. Chemical studies proved the existence of iridoids like lammiíde (major component), durantosíde, lamiidosíde, durantosíde C and boucheosíde, and other authors detected an anti-inflammatory activity in B. fluminensis leaf ethanolic extract, in carragenin rat leg induced edema. In the way to explore an extract possible chronic anti-inflamatory activity, this work investigates this effect using cotton block implantation methodology to induce granulome formation. Orally doses of 25, 50 and 100 mg/kg of ethanolic extract were administered. The chronic anti-inflammatory activity was compared with indometacin in 5 mg/kg doses.The biggest and the smallest granulomes were seen in negative and positive control groups, respectively. There is no significant difference among treated groups, but a difference was found in the groups treated with 50 and 100 mg/kg and the negative control group. A part of extracted granulome was submitted to biochemical tests, preparing tissue homogenate where the basis for determination of advanced products of protein oxidation. The tests showed that high doses of extract reduced the concentration of advanced products of protein oxidation. Doses-effect ratio for this indicator had a correlation coefficient of 0.97. Average effective concentration of this effect was 47.26 mg/kg. In bibliographic revision, a study of toxicological evaluation of ethanolic extract at 2 g/Kg doses doesn’t show acute toxicity. However, to scientific support to therapeutic use of this herb, a toxicity test in another animal specie is necessary, thus, this work evaluated acute toxicity in rabbits. The test consists in oral administration of 2g/Kg of ethanolic extract. In this study there were no clinical and hematological alterations in control and extract treated animals. This results, which include bibliographic search, anti-inflammatory activity and toxicity evaluation of Bouchea fluminensis leads to conclude that this herb presents acute and chronic antiinflamatory effects. When the antiinflamatory potency was compared with the reference compound (indometacin at 5 mg/kg), the ethanolic extract have a low potency for chronic effect, but we have take in mind that this extract is a blend of active compounds and not a pure compound. Other way, probably the side effects of this natural extract were smallest than that reported for indometacin.

Keywords

Bouchea fluminensis; toxicity; antiinflamatory activity

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