Controle farmacológico do ciclo estral de fêmeas bovinas leiteiras e ultrassonografia doppler na avaliação ovariana
Doutorado em Ciência Animal com Enfase em Produtos Bioativos
Autor: Marcio Luiz Denck Tramontin
Orientador: Denis Vinicius Bonato
Defendido em: 27/09/2024
O objetivo desta tese foi avaliar o efeito da produção de leite e do uso do hormônio liberador de gonadotrofina (GnRH) sobre o nível sérico de progesterona (P4) e sobre a dinâmica ovariana de vacas da raça Holandesa. Para isso, foram realizados dois experimentos. No primeiro estudo, fêmeas (n=16) passaram por uma pré-sincronização (PS) e após um intervalo de dez dias um protocolo de sincronização de ovulação (SO) foi iniciado. No início do protocolo de SO (D0), as vacas foram divididas em 2 grupos experimentais, sendo o grupo controle (C, n = 8) que recebeu 5 ml de solução a 0,9% de NaCl e o grupo tratado (G, n = 8) 21 mcg de Acetato de Buserelina por via intramuscular. No D0 e no sétimo dia do protocolo (D7) foi realizado o exame ultrassonográfico ovariano e foram coletadas amostras de sangue para dosagem de P4. No décimo (D10) foi medido o diâmetro e área de perfusão sanguínea ao redor dos folículos pré-ovulatórios (FPOs). No segundo estudo, foram avaliadas 28 vacas de acordo com o sistema de produção, compreendendo o semi-extensivo (n=14) e o confinado (n=14). As vacas haviam passado por PS e no dia inicial da SO foi avaliada a produção de leite, coletado sangue para dosagem de P4 e realizado exame ultrassonográfico para avaliar o tamanho e perfusão sanguínea dos CLs. Os dados de ambos os experimentos foram comparados pelo Teste T para amostras independentes, utilizando o programa estatístico Minitab®. Adotou-se um valor de P ≤ 0,05 como significativo. Com relação ao experimento 1, no D0 o nível sérico de P4 e o número de CLs foram semelhantes entre os grupos. No D7 o G2 teve maior número de CLs (2.25 ± 0.31 vs 1,12 ± 0,12; p = 0,005) e maior nível de P4 (12.22 ± 0.61 vs 9.38 ± 0,34 ng/ml; p = 0,001). No D10 não houve diferença no diâmetro dos FPOs (G1 = 12.90 ± 0,93 vs G2 = 12.49 ± 0.93 mm; p = 0,76), mas os FPOs do G2 tinham maior área de perfusão sanguínea (16,74 ± 3.41 vs 7.52 ± 1.15 mm2; p = 0,031). Com relação ao segundo experimento, as vacas criadas em sistema confinado tiveram maior média de produção leiteira (41,73 vs. 15,53 kg, p < 0,0001), CLs maiores (498,1 vs 405,6 mm², p = 0,04) e uma tendência de apresentarem CLs com maior perfusão sanguínea (100,87 vs 79,21 mm², p = 0,07). Contudo, os níveis séricos de P4 foram maiores nas vacas criadas a pasto (5,67 vs 2,72 ng/ml, p = < 0,0001). O uso do GnRH no D0 do protocolo de SO em vacas pré-sincronizadas resultou em aumento no número de CLs e no nível de P4 no D7 e, no D10, em FPOs com maior área de perfusão sanguínea. Vacas com alta produção leiteira, mesmo tendo CLs maiores e tendendo a terem maior perfusão sanguínea, possuem níveis séricos de P4 mais baixos do que vacas com menor produção.
Reprodução de vacas leiteiras. Ultrassonografia doppler. Inseminação artificial em tempo fixo. Corpo lúteo. Perfusão sanguínea folicular.
Pharmacological control of the estrous cycle of dairy cattle and Doppler ultrasonography in ovarian evaluation.
The aim of this thesis was to evaluate the effect of milk production and the use of gonadotropin-releasing hormone (GnRH) on serum progesterone (P4) levels and ovarian dynamics in Holstein cows. Two experiments were performed. In the first study, females (n = 16) underwent pre-synchronization (PS) and after a ten-day interval an ovulation synchronization (OS) protocol was initiated. At the beginning of the OS protocol (D0), the cows were divided into 2 experimental groups: the control group (C, n = 8) received 5 ml of 0.9% NaCl solution and the treated group (G, n = 8) received 21 mcg of Buserelin Acetate intramuscularly. On D0 and on the seventh day of the protocol (D7), ovarian ultrasound examination was performed and blood samples were collected for P4 determination. On the tenth day (D10), the diameter and area of blood perfusion around the preovulatory follicles (POFs) were measured. In the second study, 28 cows were evaluated according to the production system, including semi-extensive (n=14) and confined (n=14). The cows had undergone PS and on the initial day of OS, milk production was evaluated, blood was collected for P4 dosage and an ultrasound examination was performed to assess the size and blood perfusion of the CLs. Data from both experiments were compared by the T-test for independent samples, using the Minitab® statistical program. A value of P ≤ 0.05 was adopted as significant. Regarding experiment 1, on D0 the serum level of P4 and the number of CLs were similar between the groups. On D7, G2 had a higher number of CLs (2.25 ± 0.31 vs 1.12 ± 0.12; p = 0.005) and higher P4 levels (12.22 ± 0.61 vs 9.38 ± 0.34 ng/ml; p = 0.001). On D10, there was no difference in the diameter of the OPFs (G1 = 12.90 ± 0.93 vs G2 = 12.49 ± 0.93 mm; p = 0.76), but the POFs of G2 had a larger blood perfusion area (16.74 ± 3.41 vs 7.52 ± 1.15 mm2; p = 0.031). Regarding the second experiment, cows raised in a confined system had a higher mean milk production (41.73 vs. 15.53 kg, p < 0.0001), larger CLs (498.1 vs. 405.6 mm², p = 0.04) and a tendency to present CLs with greater blood perfusion (100.87 vs. 79.21 mm², p = 0.07). However, serum P4 levels were higher in cows raised on pasture (5.67 vs. 2.72 ng/ml, p = < 0.0001). The use of GnRH on D0 of the OS protocol in pre-synchronized cows resulted in an increase in the number of CLs and in the P4 level on D7 and, on D10, in POFs with a greater area of blood perfusion. Cows with high milk production, even though they have higher CLs and tend to have greater blood perfusion, have lower serum P4 levels than cows with lower production.
Dairy cow reproduction. Doppler ultrasonography. Fixed-time artificial insemination. Corpus luteum, Follicular blood perfusion.