Uso e conhecimento de plantas medicinais no distrito de lovat/Umuarama/PR: perspectivas futuras
Mestrado Profissional em Plantas Medicinais e Fitoterápicos na Atenção Básica
Autor: Simony Rodrigues Bernardelli Rosa
Orientador: Ezilda Jacomassi
Defendido em: 06/03/2026
O uso de plantas medicinais mantém relevância em comunidades rurais, onde o conhecimento tradicional é transmitido entre gerações e incorporado às práticas de autocuidado. No Brasil, essas práticas são reconhecidas pelo Sistema Único de Saúde (SUS) por meio da Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares; contudo, sua inserção na Atenção Primária à Saúde (APS) ainda enfrenta desafios relacionados à capacitação profissional, à educação em saúde e à integração entre saberes populares e conhecimento científico. Nesse contexto, este estudo teve como objetivo investigar o uso e o conhecimento sobre plantas medicinais entre moradores do Distrito de Lovat, município de Umuarama, Paraná, considerando características sociodemográficas, conhecimentos e hábitos, uso específico das espécies, orientação profissional e aspectos de segurança, além de subsidiar ações educativas em saúde. Trata-se de uma pesquisa exploratória, descritiva e transversal, realizada entre julho e agosto de 2025, com 126 indivíduos adultos residentes na microárea 01 da Unidade Básica de Saúde do Distrito de Lovat. A coleta das informações ocorreu por meio de entrevistas domiciliares estruturadas, mediante aplicação de questionário composto por 16 questões objetivas, abrangendo perfil sociodemográfico, padrões de uso de plantas medicinais, formas de preparo, fontes de orientação, percepção de segurança e relação com o tratamento convencional. Os dados foram analisados por estatística descritiva e inferencial no programa IBM SPSS versão 21.0, adotando-se nível de significância de 5%. Os resultados evidenciaram predominância do sexo feminino (65,1%), de indivíduos com idade igual ou superior a 61 anos (69,0%) e de baixa escolaridade, especialmente ensino fundamental (67,5%). Não foram observadas associações estatisticamente significativas entre o uso de plantas medicinais e as variáveis sociodemográficas, indicando que essa prática está culturalmente disseminada no território. O uso de plantas medicinais foi referido por 94,4% dos participantes, com predomínio do uso diário (49,2%). A principal fonte de indicação foi familiar ou comunitária (87,4%), enquanto apenas 5,9% relataram orientação profissional, evidenciando fragilidades na integração dessas práticas aos serviços de saúde, embora 72,2% afirmassem conhecer a diferença entre plantas medicinais e fitoterápicos. Foram identificadas 21 espécies vegetais, com destaque para hortelã (Mentha crispa) (41,3%), capim-cidreira (Cymbopogon citratus) (40,5%), camomila (Matricaria chamomilla) (17,5%), erva-doce (Foeniculum vulgare) (16,7%), boldo (Plectranthus barbatus) (11,1%), guaco (Mikania glomerata) (10,3%) e alecrim (Rosmarinus officinalis) (7,9%). Essas espécies foram utilizadas principalmente para o manejo de problemas digestivos (35,7%), insônia (26,2%), estresse e ansiedade (23,0%) e sintomas gripais (16,7%), sendo o preparo por chá/infusão a forma mais referida (83,3%). Como desdobramento prático deste estudo, foi elaborado um panfleto educativo contendo informações sobre as principais plantas medicinais utilizadas pela população local, incluindo orientações básicas de uso, preparo e cuidados, com o objetivo de apoiar ações de educação em saúde e contribuir para o uso mais seguro dessas espécies no território. Conclui-se que as plantas medicinais constituem importante estratégia de autocuidado no Distrito de Lovat, reforçando a necessidade de ações educativas, qualificação profissional e fortalecimento da Atenção Primária à Saúde para assegurar o uso seguro, racional e integrado dessas práticas no SUS.
Atenção Primária à Saúde; Conhecimento Popular; Etnobotânica; Práticas Integrativas e Complementares; Autocuidado.
Use and knowledge of medicinal plants in the district of Lovat/Umuarama/PR: future perspectives.
The use of medicinal plants remains relevant in rural communities, where traditional knowledge is transmitted across generations and incorporated into self-care practices. In Brazil, these practices are recognized by the Brazilian Unified Health System (SUS) through the National Policy on Integrative and Complementary Practices; however, their integration into Primary Health Care (PHC) still faces challenges related to professional training, health education, and the integration between popular knowledge and scientific knowledge. In this context, this study aimed to investigate the use and knowledge of medicinal plants among residents of the Lovat District, municipality of Umuarama, Paraná, Brazil, considering sociodemographic characteristics, knowledge and habits, specific uses of plant species, professional guidance and safety aspects, as well as supporting health education actions. This exploratory, descriptive and cross-sectional study was conducted between July and August 2025 with 126 adult individuals residing in micro-area 01 served by the Basic Health Unit of the Lovat District. Data were collected through structured household interviews using a questionnaire composed of 16 objective questions covering sociodemographic profile, patterns of medicinal plant use, preparation methods, sources of guidance, perception of safety and the relationship with conventional treatment. Data were analyzed using descriptive and inferential statistics in IBM SPSS software version 21.0, adopting a significance level of 5%. The results showed a predominance of female participants (65.1%), individuals aged 61 years or older (69.0%) and low educational level, especially elementary education (67.5%). No statistically significant associations were observed between the use of medicinal plants and sociodemographic variables, indicating that this practice is culturally widespread in the territory. The use of medicinal plants was reported by 94.4% of the participants, with predominance of daily use (49.2%). The main source of recommendation was family or community members (87.4%), while only 5.9% reported professional guidance, highlighting weaknesses in the integration of these practices into health services, although 72.2% reported knowing the difference between medicinal plants and herbal medicines. Twenty-one plant species were identified, with emphasis on mint (Mentha crispa) (41.3%), lemongrass (Cymbopogon citratus) (40.5%), chamomile (Matricaria chamomilla) (17.5%), fennel (Foeniculum vulgare) (16.7%), boldo (Plectranthus barbatus) (11.1%), guaco (Mikania glomerata) (10.3%) and rosemary (Rosmarinus officinalis) (7.9%). These species were mainly used to manage digestive problems (35.7%), insomnia (26.2%), stress and anxiety (23.0%) and flu symptoms (16.7%), with infusion (tea) being the most frequently reported preparation method (83.3%). As a practical outcome of this study, an educational leaflet was developed containing information about the main medicinal plants used by the local population, including basic guidelines on use, preparation and precautions, aiming to support health education actions and promote the safer use of these species in the territory. It is concluded that medicinal plants constitute an important self-care strategy in the Lovat District, reinforcing the need for educational actions, professional qualification and strengthening of Primary Health Care to ensure the safe, rational and integrated use of these practices within the Brazilian Unified Health System.
Primary Health Care; Traditional Knowledge; Ethnobotany; Integrative and Complementary Practices; Self-care.